Dieta Atlântica: Património Alimentar a Recuperar
Quando pensamos em alimentação saudável, a Dieta Mediterrânica surge imediatamente como referência, bastante reconhecida pelos seus benefícios para a saúde. No entanto, existe outra tradição alimentar, profundamente enraizada no norte de Portugal e na Galiza, que continua subvalorizada: a Dieta Atlântica.
Este padrão alimentar destaca-se pelo consumo regular de produtos frescos e sazonais, como peixe, marisco, legumes, frutas, pão, laticínios e pela utilização de azeite como principal fonte de gordura, acompanhada por vinho em quantidades moderadas a acompanhar as refeições.

Apesar das semelhanças com a Dieta Mediterrânica, onde a base vegetal e o azeite também têm um papel preponderante, a Dieta Atlântica distingue-se pelo maior consumo de peixe, sobretudo peixes gordos e marisco, pela preferência por carnes magras em detrimento de carnes vermelhas e pela maior inclusão de produtos lácteos na alimentação diária. Estas diferenças refletem a realidade geográfica e cultural das regiões atlânticas, onde o clima, o relevo e a proximidade do mar influenciam naturalmente a disponibilidade de ingredientes.
Este padrão alimentar destaca-se pelo consumo regular de produtos frescos e sazonais, como peixe, marisco, legumes, frutas, pão, laticínios e pela utilização de azeite como principal fonte de gordura, acompanhada por vinho em quantidades moderadas a acompanhar as refeições.
Estudos recentes – incluindo investigações de universidades galegas – demonstram que a Dieta Atlântica se associa a uma melhoria substancial da saúde metabólica e a baixas taxas de mortalidade por cardiopatia isquémica, especialmente no norte de Espanha e em Portugal. Assim como, evidencia níveis reduzidos de fatores de risco cardiovascular, como colesterol, triglicerídeos, proteína C reativa (um marcador de inflamação), resistência à insulina, pressão arterial, peso corporal e perímetro da cintura.

De acordo com a professora Ortolá, “a Dieta Atlântica relaciona-se com menor risco de doenças cardiovasculares, como o enfarte do miocárdio, menor mortalidade por causas cardiovasculares em pessoas de todas as idades, e ainda pode reduzir o risco de depressão e influenciar positivamente a microbiota intestinal, com implicações para a saúde digestiva e geral.” Em termos de obesidade, tem sido igualmente associada à redução do índice de massa corporal e de medidas de adiposidade.
https://www.deia.eus/salud/2025/03/08/impacto-positivo-dieta-atlantica-mediterranea-9371650.html
Apesar destes benefícios reconhecidos, em Portugal, esta tradição alimentar permanece relativamente desconhecida para a maioria da população, ofuscada pela forte promoção da Dieta Mediterrânica. No entanto, promover a Dieta Atlântica significa valorizar a identidade gastronómica do norte do país, incentivar o consumo de produtos locais e sazonais e fomentar hábitos mais saudáveis e sustentáveis.
É crucial investir em investigação, divulgação e integração deste padrão alimentar nas políticas de saúde e no turismo gastronómico, para que seja reconhecido e adotado a nível nacional.

No final das contas, o que comemos reflete não só a nossa história e cultura, mas também o território que habitamos. Se queremos preservar e potenciar este património alimentar, é tempo de trazer a Dieta Atlântica para o centro das discussões sobre alimentação saudável em Portugal.
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